Ontem o dia ficou marcado pela chuva. Hoje Estocolmo continua a impressionar-me com a água, mas desta vez não com a das nuvens. De manhã reparo num pequeno cartão na casa de banho do hotel onde nos informam que se nos tivermos esquecido de algo como pasta, escova de dentes ou touca de banho (alguém usa estas últimas de facto?) podemos contactar a recepção. Abaixo, em letras mais pequenas, aproveitam para dizer que a cidade tem a melhor água do mundo para beber e convidam-nos a aproveitar “esta fresca e limpa água directamente da torneira”, garantindo ainda que é sempre melhor que a engarrafada – e uma forma de gastar menos embalagens de vidro e de plástico. Aproveito a sugestão e encho a garrafa que comprei no aeroporto a preço de ouro com a água que parece que saiu directamente do frigorífico.

Desço finalmente. Está na hora de conhecer os jornalistas de outros países que estão também nesta viagem em busca da Verde Suécia e com quem passarei muitas horas nos próximos dias. Há pelo menos dois que consigo identificar no pequeno-almoço – estão a ler jornais e esquecem-se praticamente de comer, por isso não é difícil saber que são colegas de profissão. No lobby do hotel foi o encontro oficial. Passo então a apresentar os outros nove jornalistas, dois dos quais não estarão sempre connosco porque vêm conhecer mais áreas para além do Ambiente e da Sustentabilidade. Annabel McAleer, vem da Nova Zelândia e viajou 36 horas para estar connosco. Bruno Paes Manso e Luanda Nera Motta vêm do Brasil. Melinda Zsolt é húngara, Jenaro Villamil mexicano, Marianne Enigl austríaca e Martin Läubli suíço. Os jornalistas intermitentes são Tim Colebatch da Austrália e Outi Pukkila da Finlândia.

Mais ao fim do dia, depois de terminada a agenda oficial, aproveito para passear em busca de mais “pérolas” suecas. A linha do rio é de facto das zonas mais bonitas para caminhar. Fico espantada ao ver que perto do Parlamento há várias pessoas a pescar e penso instintivamente que é uma estupidez matar peixes que não se podem comer.

Decido então falar com alguns dos pescadores amadores que me explicam que o salmão do rio é o melhor que podemos comer. Questionados sobre a poluição, praticamente não percebem a pergunta. Isso era um problema na sua infância mas que, naturalmente, ficou resolvido com a evolução da cidade. Evoluir implica qualidade de vida. Espero sinceramente que se um dia forem a Portugal não se lembrem de pescar nada na zona ribeirinha lisboeta ou na Ribeira do Porto. E como os suecos gostam de contagiar os que por cá passam e os estrangeiros que para aqui se mudaram, fica a fotografia de alguém que já aderiu à pesca no centro da cidade.

 

(O salmão pescado ao pé do Parlamento é um dos melhores, garantem os adeptos da pesca urbana)

 

Romana Borja-Santos

 

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