Não há outra solução para os problemas ambientais a não ser educar as pessoas. Não há qualquer atalho possível. Esta foi a principal mensagem do dia, transmitida por Hans Lundberg, um professor universitário sueco especialista em cidades sustentáveis, que acredita que a simbiose é o caminho para a perfeição ambiental.

E a verdade é que em Estocolmo as pessoas quando nascem tomam logo contacto com comportamentos “verdes”. Acredito que, mais do que uma opção consciente, é um hábito, um estilo de vida saudável e que se enraizou. Porque se lhes perguntarmos porque reciclam ou qual o motivo que as leva a usar os transportes públicos elas nem percebem que, para um português, o comodismo é a melhor forma de ir de um sítio para outro, que é a nossa maneira (errada) de estar na vida.

Por isso, quando saio à rua ainda fico espantada com a quantidade de gente que anda a pé. Uns devagar, que podem ser turistas ou suecos a relaxar no fim do dia de trabalho. Outros rápido, com os cachecóis a esconder as gravatas e as roupas formais, deixando apenas a descoberto os narizes vermelhos. Mas mais espantada fico com as bicicletas. Não pelo número – esse é mais impressionante em Amesterdão, Holanda, onde continuo a achar que é mais provável ser atropelada por uma bicicleta do que por um carro – mas pela diversidade de pessoas que as usam e pela preparação das ruas das cidades para as deixar passar. São quilómetros e quilómetros de ciclovias e de passeios rebaixados, quer na linha da água quer no interior da cidade, sem carros estacionados em segunda fila. No entanto, tenho que admitir que o facto da cidade ser plana é um grande contributo para a popularidade deste transporte e que em Lisboa, ainda que haja muita coisa a melhorar, nunca poderá ser um meio tão viável. [Parabéns ao Porto que neste ponto está mais verde e a Aveiro pela iniciativa das bicicletas gratuitas, as “Bugas”].

Para os percursos mais longos, cerca de 70 por cento dos suecos prefere os transportes públicos (ou a bicicleta, ou os pés…) e mais de 30 por cento dos carros novos que compram já usam uma fonte de energia renovável (biogás, etanol…). Todos os transportes públicos funcionam bastante bem mas o metro tem a vantagem de ser mais rápido, ainda que muito caro: um bilhete para uma hora custa quatro euros. O passe mensal para todos os transportes é 70 euros, o que acaba por compensar. No entanto, estacionar no centro da cidade é bem pior. Há zonas onde apenas uma hora custa mais de oito euros e, desde o ano passado, depois de uma experiência em 2006, as pessoas que usem carro para entrar ou sair da cidade entre as 06h30 e as 18h29 pagam um imposto de congestionamento que varia de acordo com a hora do dia entre um e dois euros, num máximo de seis euros por dia, que terão de pagar no prazo de um mês.

Por isso, apesar de Estocolmo ter mais gente que a capital portuguesa há menos trânsito, mesmo nas horas de ponta. Na entrada da cidade estão isentos os transportes públicos, quase todos com combustíveis não fósseis, e os carros “green”. Os táxis ecológicos aqui têm de pagar a taxa mas passam à frente na recolha de passageiros no aeroporto e quando há uma chamada a solicitar um serviço o operador dá-lhes prioridade.

Uma sugestão: aproveite Outubro e Novembro para aderir aos transportes públicos do sítio onde vive e com o dinheiro que poupa compre uma bicicleta para si ou para a sua família e filhos – uma prenda antecipada de Natal. Os transportes portugueses podem não ser perfeitos mas com mais procura podem melhorar e adaptar-se às nossas necessidades. Lembre-se: Não há outra solução para os problemas ambientais a não ser educar as pessoas (as empresas são pessoas). Não há qualquer atalho possível. E não duvide que, nesta matéria, a “idade” sueca é um posto.

 

(Famílias, jovens, adultos, trabalhadores activos, reformados… todos gostam de pedalar)

 

 

Romana Borja-Santos

 

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